Exposição CCBB- Marlene Barros
Explorar a exposição “Tecitura do Feminino”, de Marlene Barros, instiga reflexões profundas acerca das múltiplas dimensões da existência feminina: a sua desvalorização histórica, invisibilização social, dores, e muito mais.
Os materiais escolhidos para as representações, carregam, por si só, grande parte da mensagem que se pretende transmitir. Historicamente, as tecituras com fios (crochê, tricô, etc) foram originadas, conservadas e designadas ao universo feminino. Dessa forma, essa arte está profundamente conectada à ancestralidade feminina e a história de milhares de gerações que a mantiveram viva até os dias atuais. Não somente, esse tipo de tecelagem também se configura como um importante meio de autonomia financeira, e muitas vezes de sobrevivência, de diversas mulheres, incluindo minha mãe e várias outras familiares, o que a transforma, também, em símbolo de liberdade. A partir disso, Marlene absorve esses significados em obras que retratam a opressão sofrida pelas mulheres, como algo construído ao longo do tempo e transmitido às descendentes.
Observei que a maioria das minhas primeiras interpretações das obras, foram um pouco diferentes da proposta da artista. Na obra “Entre nós”, por exemplo, que se apresenta como um convite a explorar nosso interior (ao mesmo tempo íntimo e desconhecido à nós mesmos), por meio da exposição de órgãos humanos confeccionados em crochê, enxerguei também a potência que há na capacidade feminina de gerar e criar uma vida. Já a instalação “Eu tenho a tua cara”, proporcionou uma reflexão sobre enxergar o mundo pelos olhos da outra e aderir às suas manifestações, um gesto de sororidade e empatia.
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Por fim, o espaço aberto de criação disponibilizado ao final da exposição, foi muito envolvente e divertido. Para além do aspecto lúdico, ele funciona como um convite à participação ativa, permitindo que o público se insira no protesto e na narrativa construída tão sensívelmente por Marlene Barros.


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