Fichamento: livro "Lições de arquitetura - Herman Hertzberger"
PARTE A : Público, privado e apropriação do espaço
1. Público e privado
Público e privado não são opostos absolutos: ambos envolvem uma relação entre coletividade e indivíduo.
Individualismo: humanidade na relação consigo mesma.
Coletividade: tende a enxergar o grupo antes do indivíduo - pode funcionar como uma forma de evitar o encontro consigo mesmo.
2. Demarcações territoriais
Público e privado são relativos e graduais (ex: rua → pátio → sala de aula).
A sensação de acesso pode ser contraditória
Espaços públicos podem parecer privados.
Criamos “territórios” dentro de espaços coletivos (ex: marcar lugar na mesa).
Transparência (vidro) na porta: mais acessível./ Opacidade: cria distância.
3. Diferenciação territorial
Projeto marca diferentes níveis de acesso (quem pode entrar, onde e como).
A arquitetura organiza essas transições.
4. Zoneamento territorial (apropriação)
Uso recorrente gera domínio informal do espaço.
O espaço absorve a personalidade do usuário.
Emoções influenciam o ambiente (ex: trabalhadores nos anos 80 pararam de decorar os escritórios por medo de demissão).
5. De usuário a morador
Responsabilidade pelo espaço: Muito coletivo= ninguém se sente responsável.
O projeto pode incluir ou excluir pessoas./ Criar sensação de pertencimento.
“Ninho seguro” = espaço para chamar de seu
6. O intervalo
Espaços intermediários (soleiras, entradas) são fundamentais.
São a hospitalidade da arquitetura (boas-vindas e despedidas)
Eliminam divisões rígidas
7. Marcas privadas no público
As pessoas gostam de reconhecer seus próprios sinais no espaço.
Arquitetura pode ampliar o senso de responsabilidade territorial.
8. Obra pública
Ideal todos se sentirem responsáveis.
Burocracia e escala anulam isso.
Solução: estruturas menores e mais próximas do usuário.
9–11. A rua e o domínio público
Rua = espaço de convivência e troca social (“sala de estar urbana”).
Também é espaço político (protestos, celebrações).
Impedimentos: trânsito, isolamento nos edifícios, densidade de moradias reduzidas, privacidade.
O comércio sempre foi a maior razão de intercâmbio social.
12. Público x privado como construção
Não são categorias fixas: são definidas pelo uso e pela arquitetura.
A forma pode estimular comportamentos.
PARTE B: Estrutura, forma e interpretação
1. Estrutura e interpretação
Forma: determina o uso e a experiência e é igualmente determinada pelos dois na medida em que é interpretável e pode ser influenciada.
Ponto de partida coletivo: devemos nos preocupar com todas as interpretações individuais, inclusive no tempo.
Forma e uso= língua (instrumento coletivo/ estrutura - pré-requisito para capacidade de pensar) e fala (interpretação da língua - dá forma às ideias)
Estruturalismo: Não é só estética, é um modo de pensar baseado em regras e relações.
Possibilidades constantes e fixas: regras de transformação
Conjunto de regras não restringe a liberdade, mas cria ela (xadrez)
Competência = capacidade da forma de permitir interpretações
Desempenho = uso concreto que acontece
2. Forma e adaptação
A estrutura pode mudar de uso sem perder identidade (ex: canais de Amsterdã).
Mudanças surgem da capacidade interna da forma, não são impostas.
3. Urdidura e trama
Urdidura (estrutura) = base coletiva
Trama (uso) = expressão individual
A estrutura fornece a base/ limite para a liberdade. Não devemos devemos excluir a estrutura para mudar, mas fazê-la absorver a mudança.
4–5. Grelha e ordenamento
Grelha = instrumento de organização (planejamento urbano).
6. Funcionalidade, flexibilidade e polivalência
Funcionalismo: foco na utilidade
Flexibilidade: Não é ideal, pode gerar soluções genéricas
Polivalência: Melhor solução. Permite múltiplos usos sem perder identidade
7–9. Forma, usuário e interpretação
Forma precisa ser interpretável
Arquitetura não deve entregar tudo pronto
Projeto = meio-produto
Incentivo (forma) + associação (usuário) = interpretação
10. Forma como instrumento
Quanto mais o usuário interfere, mais ele se identifica, mais ele cuida. Relação mútua:
PARTE C: Experiência espacial
1. Forma convidativa
Dimensão adequada: pequeno o suficiente para ser usado, grande o suficiente para oferecer o máximo potencial
Capacidade de lugar: função
Qualidade de lugar: sensação, apropriação
Articulação: legibilidade espacial
3. Visão I (outro)
Devemos equilibrar visão e reclusão (organização espacial que permite a qualquer um a qualquer momento escolher sua posição em relação ao outro.
Equilíbrio entre abertura e isolamento
A forma determina hierarquias e níveis de conforto.
4. Visão II (mundo exterior)
Vidro na Holanda: o exterior vê o interior e vice-versa.
Ampliar o alcance da visão: cantos de encontro da parede e teto, parapeito baixo.
5. Visão III
Arquitetura como convite a adentrar o edifício
Clarabóia: iluminação e contato exterior
“Nossa arquitetura deve ser capaz de acomodar todas essas diversas situações que afetam a maneira como um edifício é entendido e usado. Ela não só deve ser capaz de adaptar-se às condições mutáveis do tempo e às diversas estações, como deve também adequar-se para ser usada tanto durante o dia quanto durante a noite”
“O projeto definitivo deve estar harmonizado com todos os dados intelectuais e emocionais que o arquiteto possa imaginar, e deve relacionar-se com todas as percepções sensoriais do espaço”
“Ao mostrar como as coisas funcionam (água escorrendo na escada) e, assim, trazê-las à superfície, o mundo à nossa volta pode ser lido e decodificado. A arquitetura deve explanar, desvendar.”
“A abstração da forma é sempre acompanhada pela redução de informações sobre a maneira como funciona.” (tubulação)
“Tendência na arquitetura de tornar a forma mais abstrata num esforço para alcançar a simplificação sempre implica o risco de perda da força expressiva”.
Expor o “esqueleto” da construção.
6. Equivalência
Equivalência: pessoas ou coisas diferentes a que damos valor igual e que se pode classificar de acordo com um sistema de valor sem que isto resulte em desigualdade.
Conteúdo do lado direito é o mesmo que o do lado esquerdo
“Só partindo de cada elemento individual, e fazendo-o contribuir por si próprio para o todo, é que se pode obter um ordenamento em que cada componente, pequeno ou grande, pesado ou leve, tenha seu lugar apropriado de acordo com o papel específico que desempenha dentro do todo.”
Hierarquia: arquitetura como forma de perpetuar e impor poder.
Mesa redonda x retangular: redunda oferece condições iguais a todos que se sentam
“Em nosso trabalho devemos sempre procurar atingir a qualidade em tantos níveis quantos se fizerem necessários, para criar um ambiente que não sirva exclusivamente a um grupo particular de pessoas, mas a todos. A arquitetura deve ser generosa e convidativa para todos, sem distinção.”
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