Exposição: Giramundos
Quantas histórias podem ser contadas através de um amor?
Visitei a exposição “Bonecos Giramundo”, no Palácio das Artes, e fiquei impressionada ao perceber que, movido por esse sentimento, o grupo foi capaz de produzir mais de 40 espetáculos, dar vida a mais de 1500 bonecos e construir um legado que atravessa 55 anos de história.
As mais de 600 peças pertencentes ao grupo criado por Álvaro Apocalypse nos anos 70, representa com maestria narrativas e culturas diversas. Há referência a alguns contos clássicos europeus, como “Pinóquio” e “A Bela Adormecida”, mas o que se destacou aos meus olhos, foi a valorização do nosso território nacional: representações do congado, indígenas, afrodescendentes e, claro, a identidade mineira.
É interessante olhar com cautela para perceber que cada boneco carrega sua própria essência: a emoção que a peça a que eles pertencem quer transmitir, o estilo, mecanização e expressões únicas. Ainda assim, em todos eles é possível perceber o zelo dos artistas-bonequeiros com a criação.
Me perdi por muito tempo nos pequenos detalhes minuciosamente trabalhados nas obras: diferentes tecidos compondo as vestimentas, aviamentos diversos, materiais e texturas explorados de inúmeras formas e técnicas. Confesso que, por muitas vezes, tive vontade de tocar as produções para sentir o peso, a textura, a mecânica de funcionamento. A exposição Giramundo é bonita de longe, mas, sobretudo, de perto revela todo o cuidado dos envolvidos na execução.
Os bordados e detalhes minúsculos, feitos com precisão, sempre chamam mais a minha atenção. Presentes nas roupas, acessórios e sapatos, me fizeram refletir sobre o tempo e paciência dedicados por cada produtor às criações.

A exposição foi capaz de dialogar profundamente comigo e com a minha história. A senhora bordadeira da peça “Auto das pastorinhas” (1984), por exemplo, lembrou-me da minha bisavó e de bons momentos da minha vida, o que me deixou muito emocionada. O escritor sentado à mesa, despertou memórias da peça que escrevi para o meu projeto de poesias, curiosamente, com uma cena idêntica, encenada por um grande amigo. Já o tatu-bola, conseguiu me levar de volta à educação infantil, quando a turma produziu um de papel machê e foi uma verdadeira aventura levá-lo inteiro para casa. Afinal, a vida imita a arte, ou a arte imita a vida? Em certos detalhes, me vi representada ali, naqueles cenários. Acredito que qualquer pessoa que visitar a exposição encontrará, ao menos em um ponto, um pouco de si mesma.
Com o passar do tempo, as produções do grupo foram se adaptando aos novos contextos para dialogar com o presente, como a criação de programas na televisão e animações mais complexas. Isso nos revela muito sobre a necessidade de atualizar a arte para mantê-la viva no tempo.
Alguns bonecos, com olhos resinados, parecem observar os nossos passos e pensamentos. Isso lhes conferiu uma espécie de alma, ainda que cause um leve medo… Também, a disposição de alguns deles, como se estivessem conversando, dançando, ou tocando instrumentos, reforça a sensação de movimento e de vivacidade. Afinal, Giramundos é sobre isso: criar e dar vida a pequenos (e grandes) seres até então inanimados.
Giramundos permanece vivo e em constante movimento, porque é fruto de muita paixão, companheirismo e tradição, valores que ninguém quer interromper e, com certeza, não deve parar.

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